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Efeitos adversos de opióides podem ser controlados, diz especialista (3.978 caracteres com espaços)

Dores relacionadas ao tratamento dos pacientes com câncer merecem atenção de oncologistas e demais especialistas envolvidos no processo. Os opióides fortes são a maior classe de analgésicos utilizados no tratamento da dor intensa, provocada pelo tumor, devido à sua potência e ao seu custo acessível. Durante o 14º Congresso de Oncologia Clínica, o professor da disciplina de Oncologia Clínica da PUC de São Paulo Gilson Delgado abordou novidades e condutas no controle da dor crônica em pacientes com câncer. O evento está sendo realizado na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 22 de outubro.

Entre os opióides mais utilizados no Brasil podemos destacar a morfina, disponível no Sistema Único de Saúde. Entre os principais efeitos adversos desta droga estão a constipação (prisão de ventre), delírio e náuseas. “O uso de medicamentos associado aos opióides pode aumentar sua potência analgésica, diminuindo as doses e, em conseqüência, minimizando os efeitos adversos”, orientou o médico. Para reduzir a constipação, Gilson recomenda o uso de laxantes, antes que o problema se inicie. As náuseas podem ser atenuadas com a administração de inibidores dopaminérgicos. “Os delírios são controlados, em geral, em cerca de dois a cinco dias após o início do uso de opióides, sem a necessidade de medicamentos. Mas o haloperidol pode ser usado para atenuar estes efeitos com mais rapidez”, disse o Delgado.

Uma nova droga está sendo testada nos Estados Unidos com o objetivo de reduzir os efeitos secundários provocados pela morfina. De acordo com o especialista, “a metilnaltrexona apresentou resultados positivos na redução da constipação. Com apenas uma injeção, 60% dos pacientes mantiveram-se livres do problema por até uma semana. Os estudos ainda estão em Fase I e II, mas os resultados obtidos até o momento indicam que ela será importante na manutenção da qualidade de vida do paciente com câncer”.

Até hoje a morfina é a base comparativa para a produção de novas drogas que controlem a dor com eficácia. Medicamentos que substituam a droga, com o mesmo efeito terapêutico, já estão sendo testados. Segundo Delgado, a metadona mostra-se eficaz principalmente em dores neuropáticas. Seu custo também é acessível. Para ele, a grande desvantagem desta droga é a grande variabilidade individual com relação à dosagem. “É necessário iniciar o tratamento com doses baixas e aumentá-las aos poucos. Sendo assim, o paciente sentirá dor até que a dosagem atingida seja satisfatória para amenizá-la”, disse o médico.

Para Delgado, a droga que parece mais promissora no controle da dor crônica no paciente oncológico é o fentanil transmucoso oral. “A droga é administrada ao paciente sob a forma de pirulitos. Seu efeito terapêutico é equivalente aquele produzido pela morfina e a sua ação se inicia de 15 a 45 minutos após o uso. O medicamento já está sendo vendido na Europa, mas os altos custos não devem permitir o uso em larga escala no Brasil”, lamentou.

Delgado defende, ainda, que a melhora na qualidade de vida do paciente oncológico também depende de técnicas não farmacológicas. Entre as principais, citadas por ele, estão a redução na necessidade de analgesia, melhora na função do órgão afetado pelo tumor e melhora das síndromes depressivas e ansiosas. “O uso de calor e frio está entre as principais técnicas empregadas até hoje, mas a acunpuntura médica, realizada por profissionais especializados, vem mostrando excelentes resultados”, afirmou o médico. De acordo com análise realizada pelo M. D. Anderson Câncer Center, no Texas, profissionais envolvidos com o tratamento da dor crônica no paciente com câncer estão próximos ao objetivo ótimo. Segundo o médico, “o estudo mostrou que estamos melhorando a função física, emocional e ocupacional do paciente. Fisioterapia, psicoterapia e acupuntura estão sendo cada vez mais indicadas. Como resultado temos a redução da dor crônica, melhora no estado mental e menor necessidade do uso de opióides”.

Fonte:Agência Notisa