
Pesquisa avalia teores de álcool e cobre de cachaças do Rio Grande do Sul (2.731 caracteres)
O Brasil vem se destacando a cada ano na produção de cachaça. A bebida já é o terceiro destilado mais consumido no mundo, ficando atrás apenas da vodca e do soju (bebida asiática à base de sorgo). No entanto, para ser exportada há uma série de exigências que devem ser cumpridas, principalmente no que diz respeito ao teor alcoólico e ao teor de cobre. Isso porque o cobre, em grande quantidade, tem efeitos tóxicos sobre a saúde humana. Nesse sentido, pesquisadores da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul resolveram conhecer a realidade da qualidade da cachaça produzida na região, por meio de análises físico-químicas, em amostras provenientes de diferentes municípios.
O estudo foi conduzido no período de junho a agosto de 2004, quando foram coletadas vinte e cinco amostras de cachaça artesanal, provenientes de quatro microrregiões que integram a região noroeste do Rio Grande do Sul. De acordo com artigo publicado na edição de novembro/dezembro de 2005 da revista Ciência Rural, “a região noroeste do Rio Grande do Sul possui uma significativa quantidade de produtores artesanais de cachaça que utilizam alambiques de cobre para obterem o destilado alcoólico de cana-de-açúcar. Entretanto, muitos que se encontram à frente das unidades produtoras executando o processo, o fazem de maneira empírica e rudimentar, baseados no senso comum ou em informações que passam de pai para filho. Esta forma de produção empírica e artesanal pode fazer com que o produto que chega ao consumidor contenha níveis de cobre acima do estabelecido pela legislação”.
No estudo, os pesquisadores constataram que 72% das amostras apresentaram anormalidades de limpidez. Segundo eles, “os resultados sugerem falta de cuidados higiênicos, bem como falta de tecnologias adequadas de produção, problemas que poderiam ser eliminados pelo emprego de simples práticas higiênicas no processo produtivo, como, por exemplo, o emprego de filtragem antes do engarrafamento, utilizando celulose, algodão ou resina neutra”.
No que diz respeito aos teores de álcool e de cobre, a equipe verificou que grande quantidade de amostras estavam com teores fora do que preconiza a legislação. As análises dos níveis de cobre revelaram que 11,11% das amostras da Microrregião Ijuí apresentaram níveis para este metal acima do limite máximo permitido pela legislação. Em contrapartida, as microrregiões Cruz Alta, Santa Rosa e Três Passos apresentaram respectivamente 25%, 57,14% e 60% de suas amostras acima deste limite. De acordo com a equipe, “os dados são conclusivos para afirmar que estas microrregiões necessitam de maior atenção, por parte dos órgãos competentes, no tocante a uma maior assistência técnica e melhorias na tecnologia de produção”.
Agência Notisa
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