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Aspectos clínicos, epidemiológicos e preventivos.
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Meningite bacteriana em Uberlândia (4.127 caracteres com espaço)

Ilana Polistchuck

Em entrevista concedida ao programa Roda Viva veiculado pela TV Cultura e emissoras afiliadas em 6 de janeiro, o Ministro da Fazenda Antônio Palocci disse, em outras palavras, que os projetos sociais deveriam sempre ser frutos de estudos prévios e que as universidades brasileiras poderiam efetivamente contribuir com estes estudos. Tal afirmação surgiu no momento em que ele era questionado sobre quais seriam as verdadeiras diferenças entre os projetos sociais do atual governo e os do anterior ou anteriores, já que existe semelhança de objetivos e até de nomes.

A diferença proposta pelo Ministro não é sutil. Na verdade, ele preconiza que o setor administrativo seja pautado pelo método. Mais ainda: argumenta que planos baseados em resultados de pesquisas necessariamente implicam em melhor alocação de verbas e conseqüente economia de dinheiro. Vejam o exemplo da pesquisa sobre meningite no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. Os médicos Elísio de Castro, Orlando Mantese, Jorge Hirano, Irenize Santos e Valéria Silva, professores e pesquisadores da Universidade, investigaram quais foram, ao longo de 14 anos, de 1987 a 2001, as bactérias que causaram meningite nas crianças com idade entre 29 dias e 13 anos que estavam internadas no Hospital. E, além disso, descreveram outros fatores e conclusões que podem ser úteis para se estabelecer políticas de assistência e prevenção à meningite naquela cidade.

O estudo sobre Uberlândia está publicado no Jornal de Pediatria de novembro/dezembro de 2002 e mostra a importância da colheita e exame do líquor (“liquido da espinha”), cujas características encontradas selam o diagnóstico definitivo, bem como permitem identificar que bactéria está causando a doença. Identifica que, naquela cidade, as bactérias responsáveis pela doença, ao longo do período, foram a Haemophilus influenzae b (chamada Hib), o meningococo (a mais badalada por meios de informação, portanto mais conhecida) e o pneumococo. Mostra também que determinada bactéria atinge mais crianças de uma determinada idade do que outras: dos três meses aos quatro anos, por exemplo, a Hib pegou mais as crianças do que o meningococo. Acima dos quatro anos, o meningococo foi mais diagnosticado; por outro lado, a média de idade acometida pelo pneumococo está nos dois anos.

Isto em Uberlândia. Diferentes cidades exibem outras características, no Brasil e no mundo. O problema, escrevem os pesquisadores no artigo, é que “os dados populacionais mais apropriados acerca de meningite bacteriana são provenientes de países desenvolvidos, obtidos em estudos de vigilância epidemiológica de alcance nacional. Nos países subdesenvolvidos e naqueles em desenvolvimento, o conhecimento epidemiológico é escasso, em geral com intensa subnotificação e com extrapolação dos números obtidos em pequenos e restritos levantamentos, para as demais regiões do país. Além da variação das taxas de ocorrência e do perfil etiológico da meningite bacteriana de uma região a outra, há também a variação ao longo do tempo, em uma mesma área geográfica, o que requer a atualização dos dados epidemiológicos locais. Múltiplos fatores contribuem para as discrepâncias entre os dados obtidos em diferentes comunidades, em diferentes períodos de tempo. Entre eles estão os diversos graus de suspeição da doença, os diferentes níveis de disponibilidade de serviços médicos comunitários, o uso indiscriminado de antibióticos antes do estabelecimento do diagnóstico definitivo e da hospitalização, a dificuldade de obtenção do líquor para a cultura, o elevado custo dos métodos para o diagnóstico etiológico (imunológico ou microbiológico) e a subnotificação.”

Notificar é informar à vigilância sanitária sobre os casos de determinadas doenças. Para isto é necessário que os profissionais de saúde informem e que existam lugares organizados que recebam esta informação. Uberlândia parece já conhecer seu perfil para combater a meningite bacteriana. Vamos ver como andam outras cidades brasileiras.

Nota: existem outros tipos de meningite como a causada por vírus (com menor gravidade), a tuberculosa etc.