Coluna quinzenal sobre ciências agrárias, englobando agronomia, medicina veterinária, ciência e produção de alimentos,
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Pecuaristas também precisam usar computador e informática (3.448 caracteres com espaço)

O consumo de leite, no Brasil, é alto e, conseqüentemente, a quantidade de pecuaristas que desenvolve a pecuária leiteira também é grande. Por ser conduzida, na maioria das vezes, com fins lucrativos, essa atividade requer uma contabilização para periódicas análises do desempenho econômico e técnico. Contudo, são poucas as propriedades rurais, principalmente as de médio e pequeno porte, que realizam esse processo e, dessa forma, são poucos os produtores que conhecem seus custos de produção de leite e sabem que medidas adotar se a produtividade cair, como afirmam pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (MG) em artigo publicado na edição de out./dez. de 2001 da revista Scientia Agrícola.

Eles explicam, no texto, “que a inexistência de fontes de informações confiáveis levam os produtores à tomada de decisão condicionada à sua experiência, à tradição, ao potencial da região, à falta de outras opções e à disponibilidade de recursos financeiros e de mão-de-obra”. Segundo a equipe, o produtor é capaz de perceber quando a rentabilidade é baixa, mas ele não consegue quantificar e identificar os pontos de estrangulamento do processo produtivo. Daí a importância de se realizar um processo de contabilização, principalmente em um período em que o computador e a informática, de uma forma geral, chegam para facilitar a vida das pessoas — por que não a do pecuarista? — e ocupa um espaço cada vez maior.

Nesse sentido, deve-se levar em conta uma série de fatores que podem influenciar na lucratividade da pecuária leiteira. Como afirmam os pesquisadores, no texto, “o desempenho técnico-econômico da atividade leiteira pode ser avaliado através de vários índices técnicos, da relação entre eles e também pela análise econômica”. Dentre esses índices destacam-se: a produção média por vaca em lactação/dia; a produção média diária pelo total de vacas do rebanho; a produção de leite por hectare/ano; a taxa de natalidade; a idade ao primeiro parto; o intervalo entre partos; a quantidade de litros de leite por quilo de concentrado fornecido; e a mão-de-obra por litro de leite produzido.

Avaliando os índices técnicos e a rentabilidade da atividade leiteira de 22 propriedades da região de Viscosa, os pesquisadores constataram que “a escala de produção tem grande influência no lucro da atividade leiteira”. Por isso, eles sugerem como alternativas, para o aumento da produção diária de leite, o aumento do número de vacas em lactação no rebanho, que pode ser conseguido, segundo eles, através da redução do intervalo entre os partos (o ideal é se ter um intervalo entre partos de 12 meses); e o aumento da produtividade animal (litros de leite/dia), que pode ser alcançado através da elevação do percentual de vacas em lactação no rebanho, da melhoria no padrão genético do rebanho, na alimentação, na sanidade e na ambiência.

E não é só isso: outras medidas também podem ser adotadas. Como afirma a equipe no texto: “investimentos em corretivos de acidez do solo, fertilizantes, inseminação artificial e qualidade do leite através de ordenha mecanizada e resfriamento do produto logo após a ordenha certamente contribuirão para a melhoria dos resultados econômicos”. Vale ressaltar que o produtor deve adotar a medida que mais lhe convir, afinal ele deve levar em consideração as características e necessidades da sua produção e os recursos de que dispõe para esse fim, nunca se esquecendo de realizar contabilizações constantes.

Fonte:Agência Notisa